Aurora

by Criatura

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Emission Pluriel Músicas que sempre estamos à espera que apareçam! Bem haja!
Longa vida ao vosso projecto!... Favorite track: Pastor Sem Cajado.
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about

A Criatura guia-se pelo tempo de sua Terra.
A dia 5 de Fevereiro de 2016, a Aurora chegou a Portugal ás 07:38.


"Diz o mapa que está na capa, que nasceu uma Criatura para amar em pedra dura. Algures no primórdio de um novo ciclo de uma árvore infinita.

Quisemos conhecê-la até à raiz, mas parámos na eterna questão da essência. Tentámos escalá-la até ao topo, mas para lá do último ramo ficou por alcançar a imensidão que pertence ao incognoscível.

Percebemos então que o saber tem limites; mas o sentir não. É o que nos distingue das máquinas, funcionar mesmo quando não sabemos o caminho. Somos capazes de quase tudo, mesmo sabendo quase nada. E cá estamos nós, 13,8 mil milhões de anos depois d' A Primeira eventual irrupção do Cosmos. Filhes de todo um mesmo nada... Pastores de cada diferente pedaço de tudo.

Uns com o Cajado entortado, outros Sem cajado tão pouco. É Portugal da Europa e do planeta Terra, quase-planeta-Guerra. Final do ano de 2015 depois de Cristo... ou de Alá... sabe-se lá. Descobre-se que o Universo diverge e se expande infinitamente, a toda a hora. Tudo aponta para a separação das partículas.

Mas depois há as que ainda empunham firmemente o cajado, e contra todas as evidências se resignam à individualização.
As que ainda olham o céu para lá da Luz artificial, e se conectam com a Terra para lá das solas. E umas com as outras, para lá do ego. As que ainda tiram proveito da lei da atracção e quando juntas, partilham ideias, trocam conhecimentos, falam de crenças. Todos com a mesma verdade, mas cada um com a sua pergunta. Depois, a energia em movimento: abrem-se as mentes, unem-se os dons, balançam-se os corpos, libertam-se as vozes!... Evoca-se o despertar da Aurora, para que chegue antes de irmos embora.

E canta o pai, canta a mãe, canta o neto e a avó! Até cante'am os tios alentejanos de Serpa em jeito de Moda Nova.

Ai, Menina da Paz! que o Tempo não volta atrás...
mas o Amor permanece... inefável.

Vamos mas'é fazer uma Algaraviada antes que se acabe a geração!
Porra."


CRIATURA © 2016

credits

released February 5, 2016

Gravado entre 2014 e 2015 em Musibéria/ Kimahera/ Quarto ao Lado
Misturado e masterizado por Tó Pinheiro da Silva
Artwork por Duck.production
Distribuído por Tradisom Produções Culturais
Produzido por Edgar Valente e co-produzido por Paulo Lourenco

a CRIATURA é um bando repleto de músicos, fotógrafos, cantadores, técnicos, produtores, videógrafos, artistas. Todos eles são criadores. Também eles são criaturas.

Músicos:

| Edgar Valente (voz, teclados)
| João Aguiar (guitarra eléctrica)
| Paulo Lourenço (baixo eléctrico)
| Gil Dionísio (voz, violino e experimentalismos)
| Fabio Cantinho ( bateria e percussão electrónica)
| Acácio Barbosa (guitarra portuguesa, cavaquinho)
| Eloísa d' Ascensão ( voz e percussões tradicionais)
| Yaw Tembe/Claudio Gomes (trompete e instrumentos de percussão)
| Alexandre Bernardo (guitarra acústica, cavaquinho e bandolim)
| Iuri Oliveira (percussões tradicionais portuguesas e do resto do mundo)
| Ricardo Coelho (aerofones tradicionais, flauta transversal e percussões tradicionais)

com a ilustre participação do
GRUPO CORAL E ETNOGRÁFICO DA CASA DO POVO DE SERPA

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about

Criatura Portugal

A origem da Criação é por definição, sem testemunhas. A única realidade perceptível é o fruto da criação, a Criatura.

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Track Name: A Primeira
“A primeira é p’os pardais”.
Track Name: Filhe
"Quem tem mãe tem tudo e pai também.
Quem não tem também tudo pode ter.
Mas quem tem pode vadiar 'plo tempo,
e voltar sempre a casa p’ra comer.
E voltar sempre a casa p’ra crescer.

Ó mãe! Deixa lá cheirar o tacho.
Ó pai! Olha que eu não sei fazer.
Vá! Que é p’ra ver se eu me despacho,
que só tenho a vida inteira pr’a viver!
Sou novo tenho mais o que fazer...

Quem tem mãe tem tudo e nada tem.
E quem tem pai tem tudo e nada tem também.
Mas quem não tem não é menos que os outros
que por terem pensam ser alguém.
Tendo ou não tendo são sempre ninguém!

Ai mãe! Já deixei queimar o tacho.
Ai pai! Não fiz como deve ser.
Vá! que eu um dia logo acho,
que tinha a vida inteira p’ra viver!
E ouço o que estavas a dizer...”
Track Name: Pastor Sem Cajado
“Dantes o homem traçava o perfil,
com o castanho e verde dos campos.
C’os pés na terra e cabeça nas nuvens,
cada homem, seu cantar.

Agora trocou-se o céu à terra,
aos que cantam o mesmo canto.
O que importa mede-se aos números,
o que interessa mede-se ao espanto.
E empilham-se nos prédios,
onder viv'empoleirados.
Seguem trilhos d’ um pastor,
que os quére ver' embrulhados.

É calado, sem cajado
o pastor de tantos santos.
Conta contos, canta prantos.
Sem querer caiu o espanto,
sem corrida fez-se vida
e de o mar que nunca viu.

Alguém fale! Ninguém ouve!
Ninguém cale! fale o povo!
Alguém faça! Ninguém faz!
Alguém mude! Não há novo!
Há quem roube, ninguém vê!
Alguém sabe, ninguém lê!
E se soube, sorte ser,
alguém paga p’ra esquecer!

São mentes carregadasdo que devem despejar.

Em corpos tentados, bailados parados,
de porto calado, não sabem cantar.
E deixam-se ao desalento,
deixam-se levar pelo vento,
julgam-se de um contentamento
sem sequer o questionar.

Mentes carregadasdo que devem despejar!

Em corpos tentados, bailados parados,
de porto calado não sabem cantar!
E deixam-se ao desalento,
Deixam-se levar pelo vento!
Corpos marcados, de bailes vincados
E sem fazer perguntas,
Sem fazer perguntas....
(...)
Track Name: Aurora
“Ahh! Depois da tempestade, vem a bonança.
Que, quem espera e não desespera, sempre alcança.
Ahh! Depois da tempestade, vem a bonança,
Que a água mole em pedra, tanto bate até que fura! (...)

Oh Aurora, chega antes de eu me ir embora! (...)”
Track Name: Moda Nova
"Silva que estás enleada
Silva que estás enleada
desenleia o meu amor!
desenleia o meu amor!

Foste nascida e criada
Foste nascida e criada
nesses campos ao rigor
nesses campos ao rigor."
Track Name: Menina da Paz
“A Menina da Paz,
só quis dar um abraço
p’ra que vissem o que a guerra faz
desta Terra um embaraço.

Que enquanto o mal se pagar com mal,
ou com pedras de calçada,
podemos continuar,
caminhamos para nada.

Temos servido a vingança fria,
mas é hora de a levarmos ao forno.
Que mãos quentes não vão mais longe,
do que um coração morno.

Homem que és escravo da razão,
liberta a mulher que pensa com o coração!
Porque o Universo tem muito mais para dar,
dá voz à intuição, deixa as cordas vibrar.

É mesmo verdade, podes acreditar,
que por entre a Gravidade
há um coração a querer falar.

HEY!

Deixem a Menina da Paz em paz!
Que o que ela fez poucos foram capaz.
Foi uma menina, podia ter sido um rapaz,
Com noção do tempo que não volta atrás.

Deixem a Menina da Paz em paz!
Que o que ela fez poucos foram capaz.
Foi uma menina, podia ter sido um rapaz,
Com noção do tempo que não volta atrás.

Porque o Universo tem muito mais para dar,
dá voz à intuição, deixa as cordas vibrar.
É mesmo verdade, podes acreditar,
que por entre a Gravidade
há um coração a querer falar.”
Track Name: Tempo
“O Tempo perguntou ao tempo
quanto tempo o tempo tem.
O tempo respondeu ao tempo
que o tempo tem tanto tempo
quanto tempo o tempo tem.

O meu tempo é o meu tempo,
o teu tempo eu não sei.
Que o relógio não marca a cem por cento
o tempo que bates por dentro.
nem marca o meu também.

E o meu tempo é o meu tempo,
o teu tempo eu não sei.
Que o relógio não pára, é como o vento,
mas tu páras um momento
se quiseres e eu também.

Que o relógio não é dono do tempo,
nem o tempo do momento,
o tempo não manda em ninguém.

Que o relógio não é dono do tempo,
mas tu és dono do tempo
se quiseres e eu também.

E mesmo que entres em contratempo,
Que não te cause tormento.
Que o tempo é o momento,
e enquanto passa o tempo
entro só no passatempo.
troco o passo tac-tic,
Apanh’ o compass’a tempo

E o meu tempo se mantém.”
Track Name: Algaraviada
“Está uma roda parada por falta de mandador?
Mas agora cheguei eu, siga a roda faxabor!

Eram 12 raparigas todas vestidas de bronze
Deu-lhe o TRONGOMONGO numa não ficaram se não ONZE. Dessas onze que elas eram uma foi lavar os pés
Deu-lhe o TRONGOMONGO nela não ficaram se não DEZ.
Dessas dez que elas eram uma foi dar esmola ao pobre
Deu-lhe o TRONGOMONGO nela não ficaram se não NOVE..
Dessas nove que elas eram uma foi fazer um biscoito
Deu-lhe o TRONGOMONGO nela não ficaram se não OITO..

Dessas oito que elas eram um foi solar no trompete
Deu-lhe o TRONGOMONGO nela não ficaram se não SETE.
Dessas sete que elas eram uma foi cantar os reis
Deu-lhe o TRONGOMONGO nela não ficaram se não SEIS.
Dessas seis que elas eram uma foi comprar um brinco
Deu-lhe o TRONOGOMONGO nela não ficaram se não CINCO.
Dessas cinco que elas eram uma foi cagar no mato
Deu-lhe o TRONGOMONGO nela não ficaram se não QUATRO.

Dessas quatro que elas eram um foi solar outra vez
Deu-lhe o TRONGOMONGO nela não ficaram se não TRÊS.
Dessas três que elas eram uma foi passear p’la ruas
Deu-lhe o TRONGOMONGO nela não ficaram se não DUAS.
Dessas duas que elas eram uma foi apanhar caruma
Deu-lhe o TRONGOMONGO nela não ficou se não UMA.

Essa uma que ela era, ela foi jogar ao pião.

Deu oTRONGOMONGO nela e acabou-se a geração.



E já está! PORRA!”